Escolha uma Página

O Quadrifoglio Alfa Romeo

por | abr 15, 2019 | Crônica, História | 0 Comentários

Fazia 13 anos da fundação da A.L.F.A. (24 de Junho de 1910). A equipe da fábrica, incipiente, já havia vencido duas vezes em Mugello, 1920 e 1921, com Giuseppe Campari pilotando uma 40/60 HP. Em 1923, o time estava mais forte, com o advento das novas RL. Ugo Sivocci, um dos pilotos, já havia ganho fama de azarado, perdendo corridas improváveis. Para a Targa Florio daquele ano, supersticioso, resolveu pintar em sua RL TF um trevo de quatro folhas, sobre um losango branco.

Ugo Sivocci, o criador do símbolo. Imagem: omologatowatches.com

O Quadrifoglio original criado por Sivocci: Losango com cada lado representando um dos 4 pilotos da época. Imagem: ColunmN

Cada um dos quatro lados do losango simbolizava um piloto da escuderia: o próprio Sivocci, Enzo Ferrari, Antonio Ascari e Giulio Masetti. E Sivocci, “l´Eterno Secondo”, venceu. Poucos meses depois, setembro de 1923, num treino para o Primeiro Grande Prêmio da Europa, em Monza, pilotando a novíssima Alfa P1 que, consta, não pôde ter o quadrifoglio pintado sobre a carroceria por motivos técnicos, Sivocci sofreu um acidente e perdeu a vida. O número desse carro era 17. A partir dali, esse número foi abolido dos automóveis Alfa Romeo em competições, ao mesmo tempo em que o Quadrifoglio Verde seria definitivamente incorporado. Com a morte de Sivocci, um dos lados do losango foi retirado, formando um triângulo, com o trevo de quatro folhas em sobreposição.

Sivocci à bordo do RL TF 1923. Imagem: Pinterest

Desde a morte de seu criador, o losango perdeu um lado, sendo caracterizado como um triângulo. Imagem: Pngkey

Coincidência ou não (mas certamente com muita competência), pouco tempo depois, 1925, a Alfa Romeo venceria o Primeiro Campeonato Mundial de Marcas da história. E o Quadrifoglio Verde estava lá, trazendo sorte às incríveis P2. Na segunda metade da década de 20 e em toda a década de 30, a marca atingiria o seu auge, com mais de uma centena de vitórias ou pódios completos nas maiores competições do mundo daquela época, incluindo quatro triunfos nas 24 horas de Le Mans, várias Mille Miglia e Targa Florio e GPs diversos por toda a europa. O Quadrifoglio Verde desfilou orgulhoso, estampando carrocerias das 8C, 12C, P2, Tipo A, Tipo B P3 e 158, em diversas configurações e cilindradas. E esteve no topo, mais uma vez, no início dos anos 50, vencendo os dois primeiros campeonatos mundiais de F1 com as “Alfetta” 158 (1950) e 159 (1951).

Alfa Romeo P2, já com Quadrifoglio sobre triângulo. Imagem: Supercars.net

Alfa Romeo 12C 1936. Imagem: WOI Encyclopedia Italia

Alfa Romeo Alfetta 159 1951. Imagem: Ultimatecarpage.com

Nas décadas seguintes, além de emprestar charme a alguns carros-conceito, o QV seguiu sua trajetória vitoriosa nas categorias de turismo com as Giulia GTA, Alfetta GTV, Alfasud, 33, 75, 155 e 156; nas de esporte-protótipos, com as 33/2, 33/3, 33/4, TT12 e SC12 e na F1, de 1979 a 1985.

Alfa Romeo Tipo 33. Imagem: Wikipedia

Em 2017 o QV passou a adornar a carenagem das Ferrari na F1 e em 2018, da Alfa Romeo Sauber.

Mas, e nos automóveis de série, quando surgiu?

Giulia TI Super 1963. Imagem: Favcars.com

A primeira vez em que um Alfa Romeo produzido em série ostentou o trevo de quatro folhas foi em 1963, quando a Giulia TI Super foi apresentada. Essa foi uma série especial da Giulia TI, feita para homologação do modelo, visando corridas de turismo na Europa. Exatos 501 exemplares foram construídos: 499 na cor branca, 1 vermelho e 1 cinza. Tinha importantes upgrades em relação à versão normal, como o motor que equipava a Giulia Sprint Speciale, com dois carburadores duplos, taxa de compressão aumentada e 110 cv, contra 90 cv da versão base. Apesar de não levar o Quadrifoglio no nome, o emblema, de dimensões generosas, estampava os para-lamas dianteiros e trazia um charme todo especial. Muito rara hoje em dia, é altamente valorizada e procurada por colecionadores. Depois dela, em 1965, a nova Giulia Sprint GT Veloce foi apresentada portando o Quadrifoglio Verde na coluna “c”, mas também não havia referência a ele no nome do automóvel.

Giulia Sprint GT Veloce. Imagem: wheelsage.org

Alfasud TI Quadrifoglio Verde. Imagem: Wheelsage.org

Somente em 1982 nasceria o primeiro automóvel Alfa com batismo “Quadrifoglio Verde”: a Alfasud 1.5 Ti Quadrifoglio Verde. Daí em diante e até os dias de hoje, o trevo de quatro folhas passou não somente a adornar, mas também a nominar as versões mais especiais e esportivas da Alfa Romeo.

Alfetta Quadrifoglio Oro. Imagem: Mondoalfetta.it

Imagem: Pinterest

Nos anos 70 o Quadrifoglio ganhou uma releitura na cor bronze, sinalizando algumas das versões mais luxuosas dos Alfa daquela época, incluindo nossa 2300 ti. A partir dos anos 80 passou a nominar essas versões como “Quadrifoglio Oro”, estreando com a Alfetta Quadrifoglio Oro em 1982. A Alfa 90 foi o último modelo a receber essa designação, em 1984.

Alfa 90 QO 1984. Imagem: Alfa Romeo Bulletin Board & Forums.

Abaixo tabela com os Alfa Romeo produzidos(ano de lançamento) em versões Quadrifoglio Verde e Quadrifoglio Oro.

 

Quadrifoglio Verde:

1982- Alfasud ti 1.5 Quadrifoglio Verde

1983- Alfasud Sprint Quadrifoglio Verde

1984- Alfa 33 Quadrifoglio Verde

1986- Alfa 75 2.5 V6 Quadrifoglio Verde

1986- Spider 2.0 Quadrifoglio Verde

1986- Alfa 33 1.7 Quadrifoglio Verde

1987- Alfa 164 Quadrifoglio

1992- Alfa 155 Quadrifoglio 4 (Q4)

1993- Alfa 164 Quadrifoglio 4 (Q4)

1995- Alfa 145 Quadrifoglio Verde

2009- MiTo Quadrifoglio Verde

2010- Giulietta Quadrifoglio Verde

2015- Giulia Quadrifoglio Verde

2017- Stelvio Quadrifoglio Verde

 

Quadrifoglio Oro:

1982- Alfetta Quadrifoglio Oro

1982- Alfasud 1.5 Quadrifoglio Oro

1983- Alfa 33 Quadrifoglio Oro

1983- Alfa 6 Injection Quadrifoglio Oro

1984- Alfa 90 2.5 Quadrifoglio Oro

Alfa Romeo 155 V6 Ti. Imagem: Carmagazine.co.uk

Giulia QV. Imagem: Revista Quatro Rodas